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Expert em Alimentos/Saúde 02: Michael Pollan

(ENG) (Anterior) Nosso segundo artigo em como se alimentar de forma saudável – Michael Pollan é um autor Americano, ativista e professor de jornalismo da Faculdade de Jornalismo da Universidade da Califórnia-Berkeley. Um autor bastante conhecido na área de alimentação e influente na área de meio ambiente, além de muito respeitado como defensor dos direitos dos americanos.  Após anos de pesquisa e jornalismo investigativo sobre os alimentos e como eles são feitos, processados e manuseados, os conselhos de Michael Pollan se resumem a algumas regras bem simples. Seguem aqui:

Photo by (foto de) @kendra_stejskal (instagram)

  1. Coma alimentos. Nesse período de profunda confusão isso parece muito mais simples do que é. Então, tente: Não coma nada que a sua ta-taravó não iria reconhecer como alimento. (Desculpe-me, mas atualmente nossas mães estão tão confusas quanto nós, e é por isso que temos que voltar algumas gerações, para uma época anterior ao surgimento dos produtos alimentícios modernos). Existe uma grande variedade de produtos que parecem alimentos que os nossos antepassados não reconhecem como alimentos (Goody-Fruti? Barra de cereal? NONDAIRY CREAMER?); evite isso ao máximo.
  2. Evite também aqueles produtos que se escondem atrás de uma bandeira saudável. Eles costumam ser altamente processados, e ser considerado saudável é no mínimo duvidoso. Não se esqueça que a margarina, um dos primeiros alimentos industrializados que já foi considerado mais saudável do que o alimento tradicional que ela surgiu para substituir, está associada ao aumento dos índices de ataques do coração. Quando uma empresa como a Kellogg`s se vangloria de suas barras de cereais “coração saudável (Healthy Heart Strawberry Vanilla), o termo saudável no rótulo de um produto alimentício passa a ser irremediavelmente comprometido (a American Health Association recebe dinheiro por suas “indicações”). Não acredite que só porque os inhames não fazem propagandas que eles não são saudáveis.
  3. Evite particularmente produtos alimentícios contendo ingredientes que a) são desconhecidos, b) difíceis de pronunciar c) formados por mais que 5 componentes – ou que contenha glucose de milho (xarope de milho de alta fructose). Nenhuma dessas características são necessariamente prejudiciais por si só, mas são grandes indicadores de que os alimentos foram altamente processados.
  4. Evite ir ao supermercado sempre que for possível. Você não irá encontrar xarope de milho de alta fructose nas feiras livres, e você também não irá encontrar vegetais que foram colhidos a muito tempo atrás ou em regiões muito distantes. Você irá encontrar produtos integrais colhidos no auge de sua qualidade nutricional. Exatamente o tipo de alimento que sua ta-taravó iria reconhecer como alimento.
  5. Pague mais, coma menos. O sistema alimentar Americano vem a mais de um século concentrando suas atenções e energias para aumentar a quantidade e reduzir o preço, e não para melhorar a qualidade. Não há como escapar do fato de que o melhor alimento – classificado por seu sabor e qualidade nutricional (o que freqüentemente estão relacionados) – custe mais. Nem todo mundo pode se dar ao luxo de comer bem na America, o que é vergonhoso, mas a maioria pode: os americanos gastam, em media, menos de 10% de sua renda com alimentação, abaixo dos 24% gastos em 1947, e menos do que os cidadãos de qualquer outro país. E aqueles que podem se dar a esse luxo de comer bem devem fazer. Pagar mais por alimentos cultivados em solos de qualidade – sejam eles certificados como orgânico ou não – irá contribuir não só para a sua saúde (por reduzir a exposição a pesticidas) mas também para a saúde de pessoas que provavelmente não tem acesso a esse tipo de alimento: os trabalhadores rurais e as pessoas que moram nos arredores das fazendas onde esses alimentos são cultivados, e que poderiam ter suas água e ar contaminados pelos pesticidas usados nessas fazendas.

“Coma menos” é o conselho mais desagradável de todos, mas a ciência tem mostrado que comer bem menos do temos feito atualmente pode ter suas vantagens. “Restrição calórica” tem mostrado repetidamente retardar o envelhecimento em animais, e vários pesquisadores (entre eles Walter Willet, epidemiologista da Harvard) acreditam que esse seja o elo mais importante entre dieta e prevenção de câncer. A abundância de alimentos é um problema, mas os hábitos das culturas tradicionais tem colaborado nesse aspecto, promovendo o conceito de moderação. Um dos povos mais antigos na Terra, os Okinawas, praticavam um princípio denominado “Hara Hachi Bu”: coma até estar 80% satisfeito. Para fazer com que a mensagem “coma menos” seja um pouco mais aceitável, considere que qualidade pode ter influência sobre quantidade: Não sei quanto a você, mas quanto melhor a qualidade do alimento que eu como, menos eu preciso para me sentir satisfeito.

  1. Coma principalmente vegetais, especialmente as folhas. Os cientistas podem discordar sobre o que há tão bom nos vegetais – antioxidantes? Fibras? Omega-3? – mas eles concordam que os vegetais são importantes e que certamente não prejudicam. Além disso, ao seguir uma dieta baseada em vegetais, você estará consumindo bem menos calorias, uma vez que vegetais (com exceção das sementes) são normalmente “menos calóricos”do que outros tipos de alimentos que normalmente consumimos. Os vegetarianos são mais saudáveis que os carnívoros, mas os semi-vegetarianos são tão saudáveis quanto os 100% vegetarianos. Thomas Jefferson tinha uma certa razão quando aconselhou considerarmos carne mais como um condimento que um alimento.
  2. Coma como os Franceses. Ou os Japoneses. Ou os Italianos. Ou os Gregos. Ou, para ser mais claro, pessoas que se alimentam seguindo as regras de culturas tradicionais normalmente se alimentam melhores. Qualquer dieta tradicional serve: se elas não fossem saudáveis, esses povos não teriam sobrevivido. Com certeza a cultura alimentar de cada povo esta relacionada a sua economia e aos fatores ecológicos da região, e algumas são mais fáceis de serem copiadas que outras. Quando for se basear em um hábito alimentar, preste atenção em COMO essa população se alimenta, bem como DO QUE ela se alimenta. No caso do paradoxo Francês, provavelmente não são os nutrientes presentes na culinária Francesa que os mantém saudáveis (muita gordura saturada e bebidas alcoólicas?!) mas sim os hábitos saudáveis praticados por eles: pequenas porções, não repetem e não fazem lanchinhos, refeições comunitárias – e a seriedade que é dada ao prazer de se alimentar (se estressar com dieta não deve fazer bem pra ninguém). Deixe que a cultura seja o seu guia, e não sua ciência.
  3. Cozinhe. E, se puder, tenha uma horta. Se envolver em todas as interessantes etapas de cultivar o seu próprio alimento com certeza é uma forma de se distanciar da cultura “fast food” e dos valores a ela associados: que alimentos devem ser baratos e fáceis de preparar; que alimento é combustível e não comunhão. O processo de cozinhar, tal como consagrado nas culturas tradicionais chamados “cuisines”, contém mais conhecimento sobre dieta e saúde do que podemos encontrar em qualquer reportagem ou artigo científico sobre nutrição. Além disso, o alimento que você mesmo cultiva já começa a contribuir pra sua saúde bem antes de sentar para degustá-lo. Talvez seja uma boa idéia parar de ler esse artigo agora e pegar uma pá ou uma enxada.
  4. Coma como um onívoro. Tente incluir novas espécies, não só novos alimentos, na sua dieta. Quanto maior a diversidade de espécies você comer, maior a chance de você estar ingerindo todas os componentes nutricionais necessários. Esse, com certeza é um argumento baseado na nutrição, mas existe um ainda melhor, com um visão mais ampla de “saúde”. A biodiversidade na dieta significa menos fazendas de monoculturas. E o que isso tem a ver com a sua saúde? Tudo. As grandes monoculturas que nos alimentam atualmente necessitam de quantidades enormes de fertilizantes químicos e pesticidas para evitar que elas se esgotem . A diversificação do que é cultivado nessas terras significará menos fertilizantes, solos mais férteis, plantas e animais mais saudáveis, e com isso, pessoas mais saudáveis. Está tudo conectado, o que é uma outra forma de dizer que sua saúde não é limitada apenas pelo seu corpo e que o que faz bem para o solo provavelmente também faz bem pra você.

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LINK para o artigo  (Tradução de Sites: Inglês para Português)
LINK para NaoNoMeu Archivo: Expert em Alimentos/Saúde  (Traduzindo Arquivos PDF)

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